Pular para o conteúdo principal

'Fora de Série': Olivia Wilde apresenta duas amigas inseparáveis em nome da amizade













Na estreia de Olivia Wilde como diretora, Fora de Série traz como dilema a maturidade dentro de um relacionamento entre melhores amigas

Ah não, outro filme adolescente sobre amadurecimento! Talvez este tenha sido o seu primeiro pensamento em relação a este filme. Pois então segure o seu julgamento antes de conferir esta grande onda de orgulho juvenil que vai fazer você se identificar. Fora de Série muda este modelo clichê e te leva para novas possibilidades que ainda não foram exploradas. Dirigido pela atriz Olivia Wilde, esta onda orgulhosamente feminina é uma grande ode ao amor próprio na juventude e vai se transformando em um grande filme "girl power".

O dia da formatura está sufocando Molly (Beanie Feldstein) e a sua melhor amiga, a compreensível e cheia de segredos, Amy (Kaitlyn Dever). Depois de quatro anos de muito estudo e dedicação na Crockett High School de Los Angeles, essas mentes estão a um passo de conseguir a glória — Molly vai cursar em Yale e Amy vai para a universidade de Columbia. Mas tudo muda quando Molly percebe que as pessoas que estudam na mesma escola ignoram ela e sua amiga, e ela ainda jura que não sabe o motivo. Para piorar, as pessoas que vão estar em uma festa 24 horas antes da formatura também estão inscritos para o vestibular, colocando Molly em uma profunda crise pessoal. "Vocês nem se importam com a escola", grita Molly se sentindo injustiçada dentro de um banheiro frente a frente com uma garota popular da sua escola. "Não, nós só não nos importamos com a escola", debocha a garota. Você começa a sentir as mesmas dores que a protagonista.

É um bombardeio realmente certeiro em meio a tantas sentimentos emocionais à flor da pele. Com o filme se desenvolvendo através do roteiro de Emily Halpern, Sarah Jasmins, Susanna Fogel e Katie Silberman, Wilde transforma essa festa bagunçada e sem limites em uma grande felicidade cômica. Molly e Amy perderam quatro anos de suas vidas na escola grudadas nos livros e sem se divertir um momento sequer? No fundo, elas não pensam assim, mas mesmo com esta insegurança, elas decidem garantir de que não foi um erro tentando se divertir pela primeira vez em suas vidas escolares saindo para chegar na festa do Nick (Mason Godding), garoto pela qual Molly sente uma faísca de paixão. Levando em consideração a parte cômica, o filme vai se desenvolvendo naturalmente com caras tristes, inseguranças e risadas triunfantes. Chegou a pensar que seria uma coisa dessas? Claro que não.

O mais interessante é como Wilde consegue estabelecer ocultamente um diálogo inteligente usando as duas amigas como uma fonte íntima de quebra de segredos em assuntos tão particulares na vida de adolescentes e jovens como sexo, masturbação e o fato de nunca ter beijado. Também soa despojado a maneira como o filme constrói em relação a um estilo de cinematografia. Aplausos para Jason McGornick, o responsável pela montagem do filme, equilibrando a emoção e a comédia, fator em que muitos filmes deste gênero pecam por não conter estes detalhes. Sim, as duas melhores amigas acabam tendo experiências únicas que fazem elas mudarem a maneira como se vêem diante do espelho, gerando uma onda de amor e reciprocidade de uma com a outra.

Outro fator positivo também é os atores entrarem em ação mostrando certo protagonismo que ambos os personagens são cobrados para terem, mas fica perceptível que todos os holofotes ficam para Feldstein e Dever, duas jovens atrizes ainda em formação. Podemos dizer que Fora de Série tem muitas semelhanças com Lady Bird, por conta de sua abordagem exclusivamente juvenil para os assuntos jovens em seus períodos conturbados de inexperiência em todas as áreas da vida — apesar de não focar exclusivamente sobre sexualidade, como Lady Bird decidiu seguir, Wilde decidiu focar pela amizade e descobertas que uma amizade redentora pode ter — e isso determina que Fora de Série veio para chegar com uma escolha inteligente para quem gosta de uma comédia escandalosamente divertida e silenciosamente revolucionária.

Leonardo Pereira

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Soda Stereo: Discografia Comentada

  O rock argentino – chamado de "El Rock Nacional" por lá – encontrou o seu ápice na década de 1980: problemas políticos estavam envolvidos e os artistas da época estavam insatisfeitos com a condição de seu país na economia e na Guerra das Malvinas. Para piorar, o povo estava sendo enganado pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, que afirmava que a Argentina havia ganho a batalha. Depois de descoberto a mentira, o povo e os músicos da época se voltaram contra Galtieri, que no final das contas, teve que renunciar e sair da Casa Rosada (sede do governo argentino). Foi a partir desse exato momento que o rock dentro da República Argentina começou a ser ouvido e venerado de tal forma que hoje é comparado a paises como Inglaterra e Estados Unidos, onde o rock sempre foi bem afirmado e considerado como arte cultural.  Nesse exato momento, quando o rock começou a reformular seu estilo e ganhar um gênero que se aproximasse da conhecida "música de protesto", e...

'Annabelle 3: De Volta Para Casa': A boneca demoníaca volta para te atormentar

Terceiro filme do universo Invocação do Mal nos entrega uma máquina potente do gênero que envolve o terror com o simplista Com uma mistura de Uma Noite no Museu , o universo de  Invocação do Mal tem chamado atenção pelo terror estiloso e seu principal instrumento, a boneca Annabelle foi a válvula de escape para que filmes solo fossem realizados, explorando ainda mais este universo do terror. Logo que você ver Annabelle 3: De Volta Para Casa , o filme mais convencional dos últimos três que dão nome da boneca demoníaca, seus questionamentos sobre uma boneca de porcelana que é usada como um elo para que o sobrenatural aconteça realmente e se ela é possuída ou não, as suas dúvidas serão apagadas imediatamente no início. "Os demônios não possuem coisas, apenas pessoas", deixam claro o casal de investigadores Ed e Lorraine Warren (ambos interpretados por Patrick Wilson e Vera Farmiga e colocados no filme como coadjuvantes). Mas quando eles levam a boneca embora ...

'Homem-Aranha: Longe de Casa': Cabeça de Teia está de volta novamente

Por Leonardo Pereira Homem-Aranha: Longe de Casa é um dos filmes mais divertidos do UCM, e não tinha que ser diferente. Em um pós- Ultimato , muitos rumores sobre as futuras decisões para os próximos filmes foram levantados e o próprio Kevin Fudge declarou que o ciclo não terminou em Ultimato , pedindo para que os fãs não perdessem Homem-Aranha: Longe de Casa . Aqui encerrou o ciclo que havia começado em Homem de Ferro (2008) e então o filme vai te pegar de jeito em muitas partes especificas, a começar pelo humor hormonal contido mas prestes a explodir entre Peter Parker (Holland) e Mary Jane (Zendaya em uma atuação tão delicada). Você não sabe o que vem por aí. Você pode imaginar que o mundo parou no intervalo entre o estalo de Thanos e a vingança dos Vingadores em Ultimato , mas se passaram oito meses desde que aqueles que viraram em pó (o desaparecimento foi batizado de "blip"). E não tem como não se entregar por Tom Holland vivendo um Peter Parker adolescente ...