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'Brinquedo Assassino': Chucky está de volta imprevisívelmente estranho









Reboot de 1988 fica no clichê e o Chucky não é mais tão assustador

Chucky voltou e está diferente daquele boneco remendado que tocava o terror em uma perseguição de pura carnifica em suas vítimas. O boneco descontrolado está humanizado em um design de boneco menos aterrorizante. Pelo menos neste roteiro mal escrito por Tyler Burton Smith, o boneco assassino continua maléfico. Então, como definir o fracasso deste reboot de Brinquedo Assassino, clássico de 1988 conhecido pelo terror criativo? A franquia de seis filmes de qualidade desigual e oscilante não consegue ser bem representado por este reboot, ainda que um enredo confuso e anacrônico tente resgatar o ponto principal da história.

Vou lançar a dica: É uma sátira equivocada sobre o nosso mundo digital e do consumismo, na qual compradores enchem as lojas para comprar os bonecos Buddi que tem a capacidade de se conectar à internet, permitindo que as crianças encontrassem no brinquedo uma companhia perfeita para não se sentirem sozinhos. Ambos os brinquedos possuem um animatrônico que pode ser ligado na televisão, tendo o comando para jogar e se divertirem para sempre. Contudo, estes brinquedos feitos pela empresa vietnamita e exportados ao mundo inteiro começam a apresentar defeito, ocasionando em uma devolução em massa e entrega do valor para o público que adquiriu o produto. É aqui que está a pegadinha: Na sede da fábrica no Vietnã, um trabalhador demitido e humilhado coloca a sua vingança inserindo um algoritmo de violência programado dentro de um dos bonecos. É aqui que o boneco assassino volta.

Então o boneco encontra o seu caminho no apartamento de Karen (uma Audrey Plaza em uma atuação inexpressiva que coloca charme ao filme). Como uma mãe solteira e charmosa, Karen tem uma culpa interior por negligenciar o seu filho Andy (um brilhante Gabriel Bateman) para trabalhar em uma loja de departamentos que vende os bonecos Buddi. Quando a quantidade de bonecos com defeito aumentam, a devolução seria realizada, mas Karen levou um destes bonecos para Andy, que o nomeou para Chucky. Mas é o assassinato de Sean (David Lewis) — namorado de Karen que cria motivos para afastar Andy de sua mãe — e do gato da família quando Andy e seus amigos assistem a shows de terror sangrentos. Chucky pode ser um boneco, mas a rapidez do boneco em aprender é assustador (parte em que ele está com uma faca na mão e preparado para esfaquear o amigo de Andy pelas costas). Estas coisas que Brinquedo Assassino parece estar no caminho para entregar produtos engraçados em vez de entregar arrepios.

O problema começa quando o sangue derramado começa a ser repetitivo demais. E quando um Andy com medo tenta trancar Chucky em um armário, o clichê beira ao medíocre. E temos Brian Tyree Henry atuando o policial vizinho de Andy trabalhando duro para desenvolver o interesse humano em um filme que rapidamente se transforma em uma mecânica de enredo clichê. Mas as coisas ainda podem melhorar porque o climax na loja onde Karen trabalha, apresentando um exército de binquedos clones do lado de Chucky para fazer a carnificina cheira a desespero de um filme que não consegue mexer com a sua cabeça. Talvez a esperança de sentirmos medo será apenas com uma sequencia sendo organizada. Do contrário não vejo perspectiva.

• Leonardo Pereira 

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