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Bruce Springsteen, 'Working on a Dream'

No novo álbum de Bruce Springsteen, as músicas são mais bem humoradas, porém de um jeito diferente. Working on a Dream foi concebido em plena época de eleições norte-americanas, o que o título já se refere em uma grande atitude de mudança. Se por outro lado, Magic  – seu antecessor de 2007 – trazia toda sua insatisfação em torno dos problemas americanos e econômicos do país há dois anos atrás, Working on a Dream significa tudo mais positivo, mas nunca se esquecendo do "american dream". Um exemplo perfeito do que estou falando é na poderosa faixa de abertura, o épico de faroeste de oito minutos "Outlaw Pete", na qual Springsteen se transporta para dentro da música e se transforma no personagem principal do enredo. "I'm Outlaw Pete, can your hear me?" ("Eu sou Outlaw Pete, você pode me ouvir?"), canta Springsteen, como quem chamar a atenção dos causadores de problemas da terra da oportunidade. Sim, esse tipo de sonoridade imposta pe...

Bruce Springsteen, 'Magic'

Bruce Springsteen é o cara. É incrível como ele tem o poder de criar mais sucessos. Claro que isso não explica a montanha de melodias romanticamente formados que faz de Magic , o seu melhor álbum desde The Rising , de 2002, cuja inspiração foi o ataque terrorista de 11 de setembro, às Torres Gêmeas. Sua inspiração para este novo disco é a forma como se encontra a política nos Estados Unidos, como a expressão do estado e da sociedade norte-americana, especialmente porque na faixa-título, Springsteen canta forte e firme: "I got a shiny saw blade/All I needs a volunteer/I'll cut you in half/While you're smiling at me" ("Tudo o que eu preciso é de um voluntário/Eu vou cortar você ao meio/Enquanto seu sorriso está de orelha em orelha"). Mas nada seria de Magic sem a sua E Street Band, que são irmãos de estrada de mais de trinta anos, na qual Springsteen dissolveu na década de 1990 e retornou em 2002 com The Rising , que por sua vez se separou novamente...

Avril Lavigne, 'The Best Damn Thing'

Na primeira faixa do álbum, "Girlfriend", Avril Lavigne está abusivamente rebelde, pronta para roubar o namorado de uma colegial, o que eu acho errado. No todo, a complexidade de  The Best Damn Thing  é aquele punk-rock de pura testosterona do primeiro álbum, assim como a maioria de suas canções completamente descomplexadas, sem um bom propósito. O disco tem faixas bastante boas, como na balada "When You're Gone", na qual a cantora canadense volta com a seriedade, enquanto que "Contagious" soa de uma maneira bastante doce e certamente conquistará as suas fãs. Contudo, o conteúdo musical soa fraco, sem letras sérias para se levar um álbum a sério.  Como eu já havia dito, há canções que simplesmente vão conquistar o público, como "I Can Do Better", que segundo Lavigne, foi gravado quanto a cantora estava bêbada, o que comprova a animação e a descontração da música através das risadas que são ouvidas notoriamente. Tudo isso soa animado...

Brian Wilson, 'Smile'

Nunca é tarde demais para se retomar um projeto parado. Smile nada mais é do que uma obra-prima dos Beach Boys lançada no nome do mentor do grupo californiano, Brian Wilson, o gênio que na metade dos anos 1960, chegou a ser maior que os Beatles. Assim como o mito da morte de Paul McCartney, Smile fazia parte desses mitos que nunca seriam solucionados. Um mito a menos na lista.  Dentro de Smile , um álbum que foi gravado há 37 anos atrás e que fora concluído apenas em junho desse ano, contém tudo o que os Beach Boys fizeram de melhor desde a obra-prima Pet Sounds , de 1966, e Wild Honey, de 1968 – coros vocais mágicos dos três membros remanescentes do grupo californiano, mas que ainda os tornam fascinantes e clássicos, como nenhuma outra banda conseguiu fazer igual. Wilson colocou tudo o que você possa imaginar em termos de quantidade. Existe aquela frase que "quantidade não é qualidade". Smile é retoricamente o oposto desta frase. Neste caso, a "quantidade...

Arcade Fire, 'Funeral'

Todo tipo de conteúdo geralmente é colocado em um disco de forma reciclada, e Funeral – o primeiro trabalho desta banda canadense chamada Arcade Fire – não foi diferente. Ela alcança patamares que eu ainda não ouvi esse ano. Contém uma sonoridade diferente, que me chamou atenção pelo fato do mega-grupo usar muito teclado para engrandecer o ambiente emocional e musical. Suas letras soam completamente tocantes – Funeral fala sobre o amor, a dor, a perda, e principalmente sobre a morte – enquanto o casal líder da banda, Win Butler e Régine Chassagne colocaram uma característica muito bonita misturando os seus vocais nas faixas. O resultado foi que Funeral é uma grande estreia para esses canadenses.  Mas o que interessa aqui é que o Arcade Fire é diferente de todas as outras bandas novas que eu já ouvi e o que me impressionou foi como esses canadenses de Montreal misturam os instrumentos mais curiosos e que nunca fizeram parte do ambiente sonoro do rock & roll. O ...

Avril Lavigne, 'Under My Skin'

Dois anos se passaram desde que Avril Lavigne lançou Let Go , sua estréia na música fonográfica e pasmem: a canadense está de volta, porém muito mais madura e com um álbum de rock de grande qualidade e muito mais equilibrado. Under My Skin é o seu segundo álbum e o mais coeso em termos de sonoridade e composição. Confesso que me surpreendi com o crescimento desta artista que tem apenas dezenove anos, e isso mostra como raramente temos artistas mirins que se diferenciam de um grande número de cantores engana-bobos.  Mesmo com seus dezenove anos, Lavigne pode ser excluída da lista dos artistas mirins que só fazem sucesso para uma faixa etária de adolescentes. Ela está se tornando grande, e foi o que ela sempre quis. Mas essa mudança não só ocorreu pelo seu sonho, mas pela vontade de progredir para chegar em algum lugar. "I'm With You" conquistou a todos, mas aqui temos outra faixa a altura: "Don't Tell Me". A terceira faixa do disco simplesmente tem...

Avril Lavigne, 'Let Go'

Com um grande resultado nas rádios, Avril Lavigne simplesmente chamou a atenção em "Sk8er Boi": uma porrada que define toda a reviravolta de seus dezessete anos de idade. Com sua estreia em mãos, Let Go é uma amostra do talento que a cantora canadense tem para nos mostrar. Apesar de conter algumas canções grudentas genéricas, é de se admirar que Lavigne não se vendeu para a música pop com coreografias, roupas provocantes e batidas de hip-hop. Essa garota tem atitude. Dentro dos primórdios, Lavigne é uma adolescente-mulher que mostra em Let Go que tem muito para nos mostrar e provar. Tanto na porrada genérica de "Sk8er Boi", quanto na compreensiva "Complicated" e na balada mais que tocante de "I'm With You" – senão, a melhor faixa do álbum. Lavigne sabe ser doce e explosiva, e "Unwanted" é um rock de atitude, talvez a mais apetitosa do material. Tanto quanto comum é qualquer garota gravar um disco e desaparecer por não co...