"Estou lutando por minha vida/Não posso separar o mar, não posso alcançar a praia", canta Avril Lavigne em sua faixa-título, uma rajada densamente triste com pitadas de redenção na qual a cantora agoniza seu grito desesperado. Em "I Fell in Love With the Devil", Lavigne se liberta de sua agonia mais intensa e atual, talvez algo que nunca havia vivido antes. Head Above Water é a experiência da vida pessoal de Lavigne — durante seus últimos anos, a cantora sofreu para se recuperar da doença de lyme e é impossível não focar neste olhar confrontador em relação a sua mortalidade, mesmo que o álbum em si continue trazendo ausência de solidez.
Contudo, Head Above Water marca uma mudança da artista em busca de uma identidade que ainda se torna desconhecida, e que em alguns momentos provam que Lavigne ainda está viva em momentos diferenciados como "Tell Me It's Over", onde a cantora se despiu da rebeldia antiquada e voltou ao tempo de Etta James. Soa totalmente surpreendente e inovador, uma vez que a composição introspectiva sobre acabar relacionamentos amorosos ruins encaixou com o som. "Me diga que acabou/Se realmente estiver acabado", Lavigne grita ao mundo ao R&B, gerando sentidos irônicos e esnobes. Aliás, canções esnobes ainda serão achados, como no single com Nicki Minaj — a chiclete "Dumb Blonde" — que soa novamente como mais uma daquelas músicas como "Girlfriend" e "Smile", arrastando a qualidade do álbum novamente para baixo.Leonardo Pereira

Comentários
Postar um comentário