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A magia e a transcendência de Bruce Springsteen


Bruce Springsteen inevitavelmente é um dos maiores ícones da história do rock. Assim como qualquer artista lendário, Springsteen fez e continua fazendo grandes discos, daqueles que ainda conseguem entreter e impressionar o público, e realiza turnês longas, com apresentações que ultrapassam de três horas ou mais. Como grande intérprete, The Boss (como é chamado pelo público) tem o grande poder de comandar multidões de um jeito tão simples que muitos frontmans de grandes grupos de rock sentiriam inveja só de vê-lo atuar. 

Nos auge de seus 64 anos, ele e sua E Street Band – que acompanha Springsteen desde 1972 ininterruptamente – nunca estiveram tão sincronizados musicalmente. Talvez, desde Born in the U.S.A. e a turnê dessa lendária obra-prima que durou exatamente um ano e quatro meses, The Boss e a longa E Street Band nunca estiveram tão em forma. Não me vem à memória uma turnê tão perfeita como esta atual, sob o nome do álbum atual, a obra-prima da atualidade, Wrecking Ball – um disco que conta novamente os problemas da grande recessão. 

Não é de hoje que Springsteen consegue colocar e misturar perfeitamente os problemas reais da política em suas músicas, enfeitando em suas linhas alguns fatores como o desemprego, a traição de seu país – sempre colocando em suas canções, um ou dois personagens para contar a história. Um grande exemplo é "Born in the U.S.A.": Sob um toque poderoso de teclado e uma bateria potente, Springsteen canta o refrão que deu o nome à música ironicamente, e muitos não se dão conta de que ele não canta com orgulho, mas sim com vergonha de seu país, debatendo sobre as vítimas na guerra do Vietnã e sobre como seus "heróis" voltam para seu país de origem e são esquecidos completamente pelo governo que os colocou nesta batalha real de consequências físicas e psicológicas.

Artistas como Springsteen nos fazem pensar sobre a realidade dura e cruel. Infelizmente, a vida também é difícil e sem oportunidades para os personagens de The Boss contidos em "Racing in the Street" – na qual sua melodia e significado literário nos fazem chorar –, "Adam Raised a Cain" (ambos do álbum Darkness on the Edge of Town [1978]) e "The River". As duas canções têm muito em comum porque são baladas poderosas de forte apelo comercial. São muito famosas e sempre são incluídas nos set lists dos shows de Springsteen. 

Sempre abordando o tema central das composições de Springsteen, apesar de as letras soarem criticamente contra os problemas sociais, políticos e econômicos de seu país, as performances de Bruce Springsteen e a E Street Band são tão bem humoradas e contagiantes que o público – não interessa a qual faixa etária pertence – se entrega tanto musicalmente quanto visualmente ao artista. 

Seus set lists sempre passeiam por todos os seus álbuns – que são verdadeiras obras primas lendárias e inesquecíveis – como Greetings From Asbury Park, The Wild, the Innocent and the E Street Shuffle (os dois são de 1973), Born to Run (1975), Darkness... (1978), The River (1980), Nebraska (1982), Born in the U.S.A. (1984), Tunnel of Love (1987) e passam atualmente pelas novas obras lendárias como The Rising (2002), Magic (2007), Working on a Dream (2009) e Wrecking Ball (2012). Muitas vezes, The Boss homenageia seu público devoto tocando na íntegra um álbum completo, como foi no caso de sua épica apresentação no Rock in Rio – a melhor da atual edição – quando o artista de Nova Jersey tocou ao vivo o disco que o tornou famoso em solo brasileiro, Born in the U.S.A., fazendo o público cantar a faixa título e delirar completamente pelas 12 faixas existentes do disco. 

Afinal, depois de todos esses exemplos, seria injusto afirmar que Bruce Springsteen não fosse um verdadeiro ícone da música global, porque além de ter uma discografia perfeitamente realizada e ter uma carreira solidamente consagrada, 40 anos depois, Springsteen continua fazendo o maior show da atualidade e mostrando que em suas performances, a magia e a transcendência de Bruce Springsteen são únicos para os espetáculos que a Terra ainda nos apresenta.

Por Leonardo Pereira

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