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Neil Young & Crazy Horse, 'Americana'



A primeira faixa de Americana – primeiro álbum de Neil Young com o Crazy Horse desde Greendale, de 2003 – é uma mescla de guitarras totalmente desajustadas logo no início da canção, mas depois, os coros vocais do Crazy Horse começam a aparecer do nada, dando um tom à letra e a melodia, uma espécie de obcessão pela faixa. "Oh Susannah" começa muito bem com os seus ajustes e a voz característica de Young. Mas sabe, há muito o que falar aqui.

É inexplicável porque Young preferiu lançar um álbum com canções que refletem apenas toda a cultura norte-americana, do que canções novas, inéditas. Talvez ainda a confiança neles mesmos ainda não tenha voltado como nos velhos tempos, e mesmo voltando contra a maré, Young não tem medo de arriscar e, por incrível que pareça, seu tributo aos Estados Unidos não é ruim. Em "Clementine", há uma espécie de espítito roqueiro guardado que Young coloca tudo para fora, o que ele justamente não fazia em seus discos anteriores, sem o Crazy Horse.

Primeiramente, as guitarras se mostram tão boas e atuais como antigamente. Young ainda tem a velha pegada roqueira e é claro que Americana tem uma arma muito forte em mãos. O coro de Young com os seus membros de banda são totalmente preenchidos na medida que os riffs e os solos de guitarra são executados. Em "Jesus' Chariot", tudo isso que está aqui e que eu argumentei está muito dentro da faixa, e claro, era o que Young queria. E até surpreendeu algumas pessoas. O exemplo perfeito de impressionismo e surpresa é o country de raiz de "This Land Is Your Land"; é lindo e tudo isso que o grande público detentor do rock sessentista e setentista possa esperar.

Americana fez o coração do rock reacender novamente. Por mais que a maioria do público de rock do presente não conheça Young, a sociedade musical está muito fraca para acreditar que o rock & roll precisa ser salvo. Neil Young não acha que o rock precisa ser salvo, apenas, o que basta é como algumas bandas envergonham os mais experientes neste ramo. A solução é o que Neil Young e o Crazy Horse fizeram em Americana: colocaram todo o seu fogo, seu espírito e a atitude de fazer uma boa música.



Por Leonardo Pereira

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