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Prince, 'Sigh 'O' the Times'
































Inicialmente gravado com o nome de Dream Factory, o álbum não conseguiu ser o que Prince queria que fosse. Então, em vez de gravar um álbum triplo, ele escolheu as melhores canções das sessões do projeto arquivado, e fez uma grande realização com o nome fictício, porém real. A temática de Sign 'O' the Times é tão séria, mas também sabe ser tão divertida e brincalhona. O início do álbum é como um livro aberto: "In France, a skinny man died for a big disease with a little name" ("Na França, um homem magro morreu de uma doença de um grande nome") misturado com o ritmo silencioso e que apenas quebra a barreira do silêncio com teclados bastante baixos e tocados de forma suave. No disco, Prince dispensou seu antigo grupo de apoio – The Revolution, o grupo que seguiu com Prince entre os seus melhores álbuns, o primeiro álbum duplo 1999 e a trilha sonora Parade – mas resgatou como colaboradores, Camile, Susannah, Sheila E. e Shenna Easton para ajudar Prince nas gravações do álbum e com os instrumentos. Mas, para Prince, não haveria problema algum em gravar sem alguém que lhe ajudasse. Recaptulando, Sign 'o' the Times não vive só de tragédia.

A década de 1980 teve como principal influência todas as suas diversidades. Eu posso afirmar que Sign 'O' the Times é mais que uma adversidade musical. Este disco contém a melhor qualidade sonora de Prince, suas melhores músicas já escritas desde Purple Rain, trilha sonora de seu filme autobiográfico, e também, revela um conteúdo sério, mas que, no decorrer, é mesclado com algumas contagias. O disco começa como um livro revelador, que mostra a tenebrosa verdade. Nada do que você já ouviu em sua vida é parecido com Sign 'O' the Times: um sinal de salvação para as nossas cabeças que se encontram em consciência pesada de não fazer mais nada para salvar o próximo, nem à nós mesmos. Em 1987, quando a obra de Prince, lançada em um álbum duplo foi concebido pelo público, ninguém sequer tinha a mínima idéia de que ele estava falando sobre o vírus da AIDS. Que é sério isto é, mas também, passou desapercebido pela maioria. A faixa-título serve como um remédio, um sinal para mudar-nos de aparência e em nossas atitudes. A faixa-título lembra "What's Going On", de Marvin Gaye, onde ele estava implorando pela mudança. Mas em Sign 'O' the Times, Prince é triste, desolado e depressivo, mas infelizmente a mensagem que mostra a canção é a aceitação do acontecimento.

Conforme a enorme grandeza de adversidades musicais, Prince é otimista e dança com tudo o mundo em "Play in the Sunshine", esquecendo do fim do mundo com uma alegria infantil. Conforme foi a década, os discos de Prince foram uma espécie de aprendizado musical com todos os estilos. E foi assim com o funk em 1999, de 1982, assim como foi com o rock & roll em Purple Rain, de 1984, onde tranformou ele em um grande astro do rock, e agora, com Sign 'O' the Times, é a sua influência com as demais baladas ("Forever in My Life") e experimentalismos de jazz ("The Ballad of Dorothy Parker"). Prince estava movido por uma melodia e sonoridade totalmente doce, onde ele buscava a emoção nas notas e nas letras.

Quanto às suas vendagens, é um pouco curioso porque Sign 'O' the Times foi um dos discos que menos venderam quando foi lançado, e olha que é uma das obras-primas de Prince. Não se sabe o porque, mas Prince estava lançando música para os brancos, o que isto fez com que ele perdesse a maioria de seus fãs negros. Prince mesmo assim continuou a ser ele mesmo, e mais tarde, divulgou sua grande turnê, na qual foi um sucesso no mundo inteiro, passando pela Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Suécia, e outros países. A sonoridade de Sign 'O' the Times é um ataque saudável às diversas referências musicais, como por exemplo, o funk de James Brown, o R&B de Ray Charles, e está tudo aqui. Temos hinos dançantes ("Housequake"), e muitas obras como "U Got the Look" que é um barato. Depois de Purple Rain, Prince estava mais interessado nas guitarras, mas o baixo é a principal estrela, tão doce que ele desistiu das melodias, tão expressivamente que você sabe que ele está falando em outra língua com você, de modo funk, seja lá o que for.

Em "If I Was Your Girlfriend", ele pondera sua voz de forma alta: "Would you run to me if somebody hurt you, even if that somebody was me?" ("Você corre para mim, se alguém te machucasse, mesmo que esse alguém fosse eu?") – mas, como um verdadeiro filósofo do amor, ele nunca encontra a resposta e deixa a pergunta para você pensar. Ambos os discos são pesados com canções sobre sexo quente ("Slow Love", "Hot Thing"), mas essas músicas são superadas pelas imponentes baladas sobre o amor e o compromisso. "Adore" continua sendo uma das maiores canções de amor de todos os tempos, e continua a fazer as mulheres ficarem fracas e molhadas com sua promessa de abertura: "Until the end of time, I'll be there for you" ("Até o final do tempo, eu estarei com você"). Mesmo em um mundo sem esperança, Prince parece dizer que o amor pode conquistar tudo. A década de 1980 teve como principal influência todas as suas diversidades e diferenciações musicais. Eu posso afirmar que Sign 'O' the Times é mais que uma adversidade musical. Este disco contém a melhor qualidade sonora de Prince, suas melhores já escritas, e também, revela um conteúdo sério, mas que, no decorrer, é mesclado com algumas nostalgia.

Por Leonardo Pereira

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