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11 de setembro: o dia que nunca mais foi esquecido


Há dez anos atrás, eu apenas me lembrava que eu era um menino que só se preocupava em me divertir com os meus brinquedos. Naquele 11 de setembro, exatamente numa terça-feira, eu me lembrava dos noticiários em todos os canais de televisão transmitindo aquela tragédia que chocou a mim e ao resto do mundo inteiro. Aquilo foi algo que fez com que os corações de todas pessoas se tornaram em um único e doloroso sentimento de perda.

Sabe, por mais que eu fosse brasileiro, eu também sentia a dor das pessoas, as fumaças escuras, a explosão, o World Trade Center caindo em sua destruição culminando em uma enorme envergamento de fumaça. Praticamente tudo parou! A música, a TV, a hora, as árvores, e até o ar parou de circular normalmente. Eu me lembro de estar acompanhado frente a TV, sem me desgrudar do terrível acontecimento, e eu me lembrava como se fosse hoje.

Eu era pequeno e eu pedia para minha mãe para que algo fosse feito, como se realmente alguém pudesse resolver aquele problemão. A minha tristeza e crença de que um super herói pudesse salvar as pessoas daquele drama sangrento e dolorido como nos desenhos ainda estava em pé. Eu acreditava, mas apesar de eu crer em um grande milagre, eu também era muito emotivo. Também me lembro de me sentar no sofá da sala e fiquei ali, com as lágrimas saindo dos meus olhos, como se eu realmente estivesse lá, sofrendo, sentindo, vivendo aquilo. Não tem como não se lembrar daquela terça-feira obscura que deixou o mundo em luto. Por mais que eu não seja um americano, eu também sofri com aquilo.

Também me recordo de noticiários fazendo coberturas 24 horas sobre o atentado, protestos em frente a Casa Branca, conspiracionistas culpando George W. Bush (o presidente na época) de ele estar por trás disso. Eu me lembro da tristeza, do clima totalmente incondicional, choroso e totalmente depressivo de sua perda. Imaginem quantas pessoas perderam seus entes queridos, pais, mães, filhos, netos, avôs, avós, primos e etc. Para mim, a música havia parado de vez!

Mas o meu herói, e eu acho que também foi da maioria das pessoas que ainda amam profundamente a música, veio nos consolar um ano depois do atentado. Em 2002, as coisas estavam mais calmas. Eu me lembro de ligar o rádio e ouvir uma batida forte, com uma letra em inglês, claro, mas o radioalista disse mais tarde sobre ser uma canção de consolo para as vítimas do 11 de setembro, algo totalmente único e desabafante para o mundo. Eu ouvi! E o mundo inteiro ouviu Bruce Springsteen cantar "The Rising". O verso ainda soa hoje em nosso cotidiano:

 "Saí de casa esta manhã
O barulho dos sinos enchia o ar
Carregando a cruz do meu chamado
Sob rodas de fogos, eu desci até aqui."

O ambiente sonoro de "The Rising" soa como um verdadeiro ato sincero e amoroso de oração. Era como se não houvesse fronteira territorial que separasse todos nós do luto, respeito e oração que estávamos fazendo por todas as pessoas que se foram. Foi algo que fez todo mundo parar, e eu garanto que Bruce tentou nos consolar, ainda que fosse algo muito recente e considerado uma enorme ferida para a década que via o conflito entre Estados Unidos contra o Afeganistão, Bruce foi um anjo enviado por Deus através de suas inspirações musicais para fazer com que não desistíssemos dos nossos sonhos, dos sonhos de um planeta com paz, sem dor, com mais amor, mais carinho, respeito e compaixão pelo próximo:

"Levante-se para a volta por cima
Levante-se, junte suas mãos com as minhas
Levante-se para a volta por cima
Levante-se para a volta por cima hoje a noite."

Ainda em 2002, saiu o álbum completo, The Rising, que também foi o marco pela volta criativa de inspiração perdida por Bruce desde Tunnel of Love, de 1987, um verdadeiro épico que acabou se transformando em um disco de auto-ajuda psicológica e espiritual do pós-11 de setembro. Em grande parte, ele nos ajudou a superar essa dor impossível de não sentir. Em "The Rising", ele permanece dizendo positivamente que logo veremos as vítimas através de lembranças boas de nossas memórias e que eles estão em um lugar melhor:

"Eu te vejo, Maria, no jardim
No jardim de milhares de suspiros
Há fotografias santas de nossas crianças
Dançando em um céu cheio de luz
Que eu possa sentir seus braços em torno de mim
Que eu possa sentir seu sangue misturar ao meu
Um sonho de vida vem até mim
Como um peixe dançando no fim da linha."

Bruce, eu e todas as pessoas nos unimos no momento mais difícil e turbulento de todos os tempos! E deveríamos permanecer assim, porque o que deve prevalecer é o amor!

Por Leonardo Pereira



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